{"id":403,"date":"2017-03-23T22:10:30","date_gmt":"2017-03-24T01:10:30","guid":{"rendered":"https:\/\/lageevo.crp.ufv.br\/?p=403"},"modified":"2017-03-23T22:10:30","modified_gmt":"2017-03-24T01:10:30","slug":"genetica-ecologica-uma-ferramenta-para-o-estudo-da-biodiversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lageevo.crp.ufv.br\/?p=403","title":{"rendered":"Gen\u00e9tica Ecol\u00f3gica &#8211; uma ferramenta para o estudo da biodiversidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Rubens Pazza, Folha Biol\u00f3gica, 2010.<\/p>\n<p>Embora pare\u00e7a novidade, a Gen\u00e9tica Ecol\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 uma \u00e1rea nova. Na realidade, suas primeiras impress\u00f5es vieram dos trabalhos de Darwin e Wallace, que primeiro relacionaram a Gen\u00e9tica (varia\u00e7\u00e3o) com a Ecologia (luta pela sobreviv\u00eancia). Em termos simples, a Gen\u00e9tica Ecol\u00f3gica \u00e9 uma ci\u00eancia que trabalha com a an\u00e1lise das varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas inter e intrapopulacionais, que em \u00faltima inst\u00e2ncia leva \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o e especia\u00e7\u00e3o. Assim, diferentes metodologias que avaliem a variabilidade de popula\u00e7\u00f5es, esp\u00e9cies ou mesmo indiv\u00edduos podem ser utilizados como ferramenta para a Gen\u00e9tica Ecol\u00f3gica. Mais recentemente, com o advento da biologia molecular, novas ferramentas permitiram a observa\u00e7\u00e3o de varia\u00e7\u00e3o em n\u00edveis cada vez mais refinados. N\u00e3o apenas os avan\u00e7os t\u00e9cnicos, mas tamb\u00e9m os avan\u00e7os te\u00f3ricos foram importantes para a consolida\u00e7\u00e3o desta \u00e1rea de estudo, como a teoria de metapopula\u00e7\u00f5es e as an\u00e1lises filogen\u00e9ticas, por exemplo.<\/p>\n<p>Uma das \u00e1rea de estudo da gen\u00e9tica ecol\u00f3gica envolve a resolu\u00e7\u00e3o dos problemas taxon\u00f4micos. Mas por que motivo os problemas taxon\u00f4micos seriam problemas ecol\u00f3gicos? Em primeiro lugar, um naturalista deve se preocupar em saber com que esp\u00e9cie est\u00e1 lidando, pois isso \u00e9 imprescind\u00edvel para a avalia\u00e7\u00e3o dos seus resultados. Quando um pesquisador afirma que determinada esp\u00e9cie de peixes apresenta desova total na \u00e9poca chuvosa, ele precisou avaliar v\u00e1rios exemplares da mesma esp\u00e9cie em diferentes \u00e9pocas do ano para chegar a esta conclus\u00e3o. Toda a sua hip\u00f3tese depende da correta identifica\u00e7\u00e3o dos exemplares observados. Entretanto, existem dois grandes problemas associados \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies. O primeiro deles \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o ao conceito de esp\u00e9cie em si. O que realmente \u00e9 uma esp\u00e9cie? O \u201cconceito biol\u00f3gico\u201d de Mayr-Dobzhansky pode ser \u00fatil para muitos organismos, mas n\u00e3o para todos nem para todas as situa\u00e7\u00f5es.\u00a0 Em segundo lugar, existem muitos grupos de organismos onde a identifica\u00e7\u00e3o taxon\u00f4mica ao n\u00edvel de esp\u00e9cie \u00e9 extremamente complicada do ponto de vista morfol\u00f3gico. Para tentar resolver o segundo caso, metodologias mais refinadas como a de marcadores gen\u00e9ticos (citogen\u00e9tica, marcadores moleculares, sequenciamento de trechos de DNA nuclear e mitocondrial), por exemplo, podem ser \u00fateis. Mais recentemente, a utiliza\u00e7\u00e3o de um pequeno trecho do gene da citocromo oxidase I do DNA mitocondrial (COI) tem apontado para novos rumos na identifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies por meios moleculares. \u00c9 o chamado c\u00f3digo de barras de DNA (DNA barcoding), que pressup\u00f5e que a varia\u00e7\u00e3o encontrada nesta regi\u00e3o do genoma mitocondrial \u00e9 suficiente para identificar esp\u00e9cies distintas.<\/p>\n<p>Os estudos ecol\u00f3gicos ganharam um importante aliado na identifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies por meio de marcadores gen\u00e9ticos. Al\u00e9m das quest\u00f5es ecol\u00f3gicas cl\u00e1ssicas, das inter-rela\u00e7\u00f5es entre popula\u00e7\u00f5es e esp\u00e9cies em um ecossitema, esta ferramenta tamb\u00e9m \u00e9 bastante \u00fatil em quest\u00f5es mais aplicadas, como a identifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies quando a morfologia est\u00e1 descaracterizada. Um exemplo interessante \u00e9 o reconhecimento e a certifica\u00e7\u00e3o de madeiras como pertencentes a esp\u00e9cies n\u00e3o amea\u00e7adas, evitando ou coibindo crimes ambientais. O mesmo vale para carnes processadas, seja para evitar o uso indevido de esp\u00e9cies amea\u00e7adas, ou mesmo para garantir que o atum enlatado \u00e9 realmente atum, e n\u00e3o bonito, um peixe da mesma fam\u00edlia e de carne semelhante, mas com menor valor de mercado ou ainda, para literalmente, n\u00e3o levar gato por lebre!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rubens Pazza, Folha Biol\u00f3gica, 2010. Embora pare\u00e7a novidade, a Gen\u00e9tica Ecol\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 uma \u00e1rea nova. Na realidade, suas primeiras impress\u00f5es vieram dos trabalhos de Darwin e Wallace, que primeiro relacionaram a Gen\u00e9tica (varia\u00e7\u00e3o) com a Ecologia (luta pela sobreviv\u00eancia). 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