{"id":422,"date":"2017-05-24T21:31:06","date_gmt":"2017-05-25T00:31:06","guid":{"rendered":"https:\/\/lageevo.crp.ufv.br\/?p=422"},"modified":"2017-05-24T21:32:02","modified_gmt":"2017-05-25T00:32:02","slug":"cromossomos-e-especies-invasoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lageevo.crp.ufv.br\/?p=422","title":{"rendered":"Cromossomos e esp\u00e9cies invasoras"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/darwin.bio.br\/dnacetico\/?p=2198\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Rubens Pazza, 2017.<\/em><\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 muito tempo atr\u00e1s defendi meu mestrado. A ideia era simples. Estudar os cromossomos de uma esp\u00e9cie de peixes amplamente distribu\u00eddas pela regi\u00e3o Neotropical, especialmente nas bacias hidrogr\u00e1ficas brasileiras, a tra\u00edra (Hoplias malabaricus), em uma regi\u00e3o do Alto rio Paran\u00e1, chamada de plan\u00edcie de inunda\u00e7\u00e3o. Uma regi\u00e3o logo \u00e0 montante do lago formado pela Usina de Itaipu anos antes.<\/p>\n<p>Hoje razoavelmente bem resolvida, esta esp\u00e9cie j\u00e1 foi considerada um complexo de esp\u00e9cies (ou esp\u00e9cie cr\u00edptica), ou seja, um conjunto de esp\u00e9cies com pouca defini\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica designada com um mesmo nome. Desde os anos 70 os estudos cromoss\u00f4micos demonstraram que popula\u00e7\u00f5es desta esp\u00e9cie podiam apresentar diferentes n\u00fameros cromoss\u00f4micos. O conjunto das caracter\u00edsticas cromoss\u00f4micas (n\u00famero e forma, basicamente) compartilhado por indiv\u00edduos ou popula\u00e7\u00f5es pode ser considerado um cit\u00f3tipo. E Hoplias malabaricus apresentava pelo menos sete bem distintos cit\u00f3tipos. Embora alguns deles sejam encontrados em situa\u00e7\u00e3o de simpatria (no mesmo local ou c\u00f3rrego\/lagoa), v\u00e1rios cit\u00f3tipos s\u00e3o espec\u00edficos de determinadas bacias hidrogr\u00e1ficas. No momento estas diferen\u00e7as entre os cit\u00f3tipos n\u00e3o v\u00eam ao caso, mas basta saber que s\u00e3o t\u00e3o gritantes que \u00e9 muito complicado considerar ser a mesma esp\u00e9cie grupos com um cit\u00f3tipo e grupos com outro (para ter uma no\u00e7\u00e3o sobre conceituar esp\u00e9cie e sua problem\u00e1tica, sugiro ouvir o epis\u00f3dio do Rock com Ci\u00eancia sobre esse tema).<\/p>\n<p>No Alto rio Paran\u00e1, que compreende basicamente os rios afluentes do rio Paran\u00e1 antes de Itaipu, eram encontrados dois cit\u00f3tipos distintos. No Baixo rio Paran\u00e1 (tamb\u00e9m conhecido como rio Paraguai) existia um outro cit\u00f3tipo diferente dos anteriores. O que aconteceu foi que nesta plan\u00edcie de inunda\u00e7\u00e3o do rio Paran\u00e1 encontrei os tr\u00eas cit\u00f3tipos em simpatria. Os dois do Alto rio Paran\u00e1 e mais o do Baixo rio Paran\u00e1. Qual a explica\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Bom, a barragem da usina de Itaipu hoje divide as prov\u00edncias da ictiofauna do alto e baixo rio Paran\u00e1. Mas nem sempre foi assim. Anteriormente, o divisor destas prov\u00edncias eram as Sete Quedas, o conjunto de cachoeiras que foi inundado na constru\u00e7\u00e3o de Itaipu. Embora hajam esp\u00e9cies em comum entre as duas bacias hidrogr\u00e1ficas, diversas s\u00e3o espec\u00edficas do alto ou baixo Paran\u00e1. O detalhe \u00e9 que h\u00e1 uma certa dist\u00e2ncia entre a localiza\u00e7\u00e3o das Sete Quedas e onde a barreira fica atualmente, a barragem da usina. S\u00e3o 150 km de diferen\u00e7a. A barragem foi constru\u00edda abaixo de Sete Quedas e tudo que estava entre a barragem e Sete Quedas subiu. Nesta brincadeira v\u00e1rias esp\u00e9cies de ocorr\u00eancia apenas abaixo j\u00e1 foram relatadas no Alto Paran\u00e1. Estas esp\u00e9cies s\u00e3o invasoras, pois n\u00e3o s\u00e3o nativas desta bacia hidrogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>E o que houve com Hoplias malabaricus? O mesmo. Popula\u00e7\u00f5es com o cit\u00f3tipo do baixo Paran\u00e1 subiram e conseguiram sobreviver no novo ambiente, como acontece com algumas esp\u00e9cies invasoras. O problema \u00e9 que esta esp\u00e9cie n\u00e3o figuraria na lista de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas encontradas na bacia hidrogr\u00e1fica do Alto rio Paran\u00e1, uma vez que morfologicamente os cit\u00f3tipos s\u00e3o indistingu\u00edveis. Eis, portanto, uma preocupa\u00e7\u00e3o pouco documentada quando se fala em conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. O fato de que muita diversidade est\u00e1 escondida e n\u00e3o pode ser avaliada nos tradicionais m\u00e9todos de levantamentos e estudos ecol\u00f3gicos e de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Refer\u00eancia:<br \/>\nPazza, R., &amp; J\u00falio Jr., H. (2003). Occurrence of Three Sympatric Cytotypes of Hoplias malabaricus (Pisces,Erythrinidae) in the Upper Parana River Foodplain (Brazil) CYTOLOGIA, 68 (2), 159-163 DOI: 10.1508\/cytologia.68.159<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rubens Pazza, 2017. H\u00e1 muito tempo atr\u00e1s defendi meu mestrado. A ideia era simples. Estudar os cromossomos de uma esp\u00e9cie de peixes amplamente distribu\u00eddas pela regi\u00e3o Neotropical, especialmente nas bacias hidrogr\u00e1ficas brasileiras, a tra\u00edra (Hoplias malabaricus), em uma regi\u00e3o do Alto rio Paran\u00e1, chamada de plan\u00edcie de inunda\u00e7\u00e3o. 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